quarta-feira, 3 de junho de 2020

1822 Como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D.Pedro a criar o Brasil.


Um país que tinha tudo para dar errado.

Depois de ler este livro, consegui entender o nosso país.




1798 - Em 12 de outubro, D. Pedro nasce no palácio de Queluz, no mesmo quarto em que havia de morrer 35 anos mais tarde

1801 - Morre D. Antônio, primogênito de D. João VI; com isso, Pedro passa à condição de herdeiro do trono português

1808 - A corte portuguesa de D. João chega ao Brasil fugindo das tropas de Napoleão Bonaparte, que invadira Portugal
Em Viena, Ludwig van Beethoven faz a primeira apresentação de sua Quinta sinfonia

1814 - O México torna-se independente da Espanha
Simón Bolivar, "O Libertador", ocupa Caracas, capital da Venezuela

1815 - D. João promove o Brasil à condição de Reino Unido com Portugal e Algarves
Tropas Britânicas comandadas pelo duque Wellington derrotam Napoleão na Batalha de Waterloo

1816 - A Argentina declara sua independência da Espanha

1817 - Revolução republicana é sufocada por tropas de D. João VI em Pernambuco

1819 - Primeiro navio a vapor a cruzar o Atlântico, o Savannah viaja dos Estados Unidos à Inglaterra em 26 dias

1820 - A Revolução Liberal do Porto exige a volta do rei D. João VI a Portugal 
As cortes portuguesas são convocadas para redigir uma nova constituição e limitar o poder do rei

1821 - O Inglês Michael Faraday inventa o motor elétrico
D.João VI e a família real retornam a Lisboa depois de 13 anos no Rio de Janeiro
D. Pedro é nomeado príncipe regente do Brasil
Napoleão Bonaparte morre na Ilha de Santa Helena
As cortes portuguesas exigem a volta de D. Pedro a Portugal
Por decreto das cortes, a administração do Brasil é dividida em juntas provinciais que se reportam diretamente a Lisboa
Peru e Panamá se tornam independentes da Espanha

1822 - A 9 de janeiro, "Dia do Fico", D. Pedro anuncia a decisão de permanecer no Brasil, contrariando ordens das cortes Portuguesas
Em fevereiro, começa a Guerra da Independência na Bahia
A 7 de setembro, nas margens do riacho Ipiranga, D. Pedro proclama a Independência do Brasil 
Em 1 de dezembro, D. Pedro I é coroado imperador do Brasil

1823 - No Piauí, entre 200 e 400 brasileiros tombam em cinco horas de combate na trágica Batalha do Jenipapo
Em 2 de julho, os portugueses são expulsos da Bahia
A 12 de novembro, a assembléia constituinte, convocada no ano anterior, é dissolvida por D. Pedro I

1824 - Ocorre em Portugal a Abrilada, golpe contra D. João VI tramado por sua mulher, Carlota Joaquina, e seu filho, D. Miguel
D. Pedro I outorga a primeira constituição brasileira, uma das mais liberais do mundo na época
A Confederação do Equador, revolução liderada por Pernambuco, é derrotada pelas tropas do Império

1825 - Frei Caneca, Líder da Confederação do Equador, é executado no Recife
Inaugurado na Inglaterra o primeiro trem de passageiros
Portugal reconhece a Independência do Brasil

1826 - Após a morte de D.JoãoVI, o imperador D. Pedro I do Brasil assume o trono português por uma semana com o nome de D. Pedro IV
Morre no dia 11 de dezembro, aos 29 anos, a imperatriz D. Leopoldina

1828 - D. Miguel, irmão mais novo de D. Pedro, assume o trono português após o golpe absolutista
A província Cisplatina se torna independente do Brasil com o nome de Uruguai
Morre em Viena o compositor Franz Schubert

1829 - D. Pedro casa-se em segundas núpcias com Amélia de Beauharnais, princesa da Baviera

1830 - Revolução em Paris: o rei absolutista Carlos X foge, o liberal Luís Filipe assume o trono
O escritor francês Stendhal publica O VERMELHO E O NEGRO, sua obra prima

1831 - D. Pedro I abdica o trono brasileiro e retorna na Europa
Charles Darwin embarca para a América do Sul a bordo do HMS Beagle

1832 - D. Pedro desembarca na cidade do Porto à frente do exército liberal e é cercado pelas tropas do irmão D. Miguel
O escritor alemão Goethe morre no ano da publicação do segundo volume de Fausto, sua obra prima

1834 - D. Pedro morre no palácio de Queluz deixando como sucessores em Portugal a filha Maria da Glória, coroada como D. Maria II, e no Brasil, o filho Pedro de Alcântara, que subiria ao trono em 1841 como D. Pedro II

LAURENTINO GOMES 
O mesmo autor de 1808







 

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Assumir o risco do outro. Seguros.








Um pouco da história do seguro

A história do seguro remonta a séculos antes de Cristo, quando as caravanas atravessavam os desertos do Oriente para comercializar camelos. Como alguns animais sempre morriam no caminho, os cameleiros firmaram um acordo no qual pagariam para substituir o camelo de quem o perdesse.


No ramo da navegação, também foi adotado o princípio de seguro entre os fenícios, cujos barcos navegavam através dos mares Egeu e Mediterrâneo. Existia, entre os navegadores, um acordo que garantia a quem perdesse um navio a construção de outro, pago pelos demais participantes da mesma viagem.


A preocupação com transporte marítimo tinha como causa interesses econômicos, pois o comércio exterior dos países se dava apenas por mar. A ideia de garantir o funcionamento da economia por meio do seguro prevalece até hoje. A forma de seguro é que mudou, e se aperfeiçoa cada vez mais.


O primeiro contrato de seguro nos moldes atuais foi firmado em 1347, em Gênova, com a emissão da primeira apólice. Era um contrato de seguro de transporte marítimo. Daí pra frente, o seguro foi ainda mais impulsionado pelas Grandes Navegações do século XVI, pela Revolução Industrial e pelo desenvolvimento da teoria das probabilidades associada à estatística.


Seguros no Brasil


A atividade seguradora no Brasil teve início com a abertura dos portos ao comércio internacional, em 1808. A primeira sociedade de seguros a funcionar no país foi a “Companhia de Seguros BOA-FÉ”, em 24 de fevereiro daquele ano, que tinha por objetivo operar no seguro marítimo.


Com o advento da Lei n° 556, de 1850 (Código Comercial Brasileiro), houve o aparecimento de inúmeras seguradoras, que passaram a operar não só com o seguro marítimo, expressamente previsto na legislação, mas também com o seguro terrestre e o seguro de vida, este proibido antes por razões religiosas.


Por volta de 1862, surgem as primeiras sucursais de seguradoras sediadas no exterior. Ocorre que tais empresas transferiam para suas matrizes os prêmios cobrados, provocando indesejável evasão de divisas. Assim, visando a proteger os interesses econômicos do país, foi promulgada, em 1895, a Lei n° 294, determinando que suas reservas técnicas fossem constituídas e tivessem 

seus recursos aplicados no Brasil, para fazer frente aos riscos aqui assumidos.

O Decreto n° 4.270, de 1901, e seu regulamento anexo, conhecido como “Regulamento Murtinho”, normatizaram o funcionamento das companhias de seguros já existentes ou que viessem a se organizar no território nacional.
O Regulamento Murtinho criou a “Superintendência Geral de Seguros”, subordinada diretamente ao Ministério da Fazenda, e concentrou todas as questões atinentes à fiscalização de seguros, antes distribuídas entre diferentes órgãos.
Cabia à Superintendência a fiscalização preventiva, exercida por ocasião do exame da documentação da sociedade que requeria autorização para funcionar, e a repressiva, sob a forma de inspeção direta, periódica, das sociedades.
Em 1916 foi sancionada a Lei n° 3.071, que promulgou o “Código Civil Brasileiro”, com um capítulo específico dedicado ao “contrato de seguro”. Os preceitos formulados pelo Código Civil e pelo Código Comercial passaram a compor, em conjunto, o que se chama Direito Privado do Seguro. Esses preceitos fixaram os princípios essenciais do contrato e disciplinaram os direitos e obrigações das partes, de modo a evitar e dirimir conflitos entre os interessados. Foram esses princípios fundamentais que garantiram o desenvolvimento da instituição do seguro.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome” Os Templários.




A presença dos Templários em solo português confunde-se com a própria história de Portugal. A ordem militar ajudou dom Afonso Henriques, primeiro rei da história lusitana, a expandir o seu reino, expulsando os mouros e consolidando as fronteiras do que se iria chamar de Portugal.

Quanto mais ajudavam nas conquistas, mais eram dotados de privilégios forais e riquezas dadas pelos primeiros reis soberanos lusitanos. Os Templários tornaram-se uma potência, de um poder tão absoluto, que suscitaram sobre as suas cabeças a inveja e a cobiça dos nobres e clérigos. Esta perseguição colaborou para a queda e extinção da ordem, tendo os seus cavaleiros um fim humilhante, muitos sendo mortos nas fogueiras inquisitoriais.


Em Portugal, eles estiveram (segundo registros oficiais) de 1128 até o fim da ordem, declarada extinta em 1314, pelo papa Clemente V. Quando este papa ordenou a dom Dinis que fosse inquirida a conduta da ordem em terras lusitanas, o monarca cumpriu a determinação papal, mas em 1310, juntamente com os soberanos de Castela, declarou em um tribunal de Salamanca, que os Templários eram inocentes. Esta posição incomodou os perseguidores da ordem, mas não evitou a sua supressão definitiva. Para evitar que o grande patrimônio da ordem deixasse o reino português, a coroa conseguiu que em 1319, o papa João XXII criasse por meio de uma bula, a Ordem da Cavalaria de Nosso Senhor Jesus, ou simplesmente, Ordem de Cristo, para onde migrou os cobiçados bens dos Templários.


A contribuição dos Templários na história de Portugal foi essencial, desde a expansão das fronteiras, à participação na economia do reino, nas ciências e na arquitetura. Esta presença ainda hoje pode ser vista na imponência dos castelos da cidade de Tomar; de Almourol, um belíssimo monumento situado no meio de um ilhéu do Tejo; no castelo de Soure ou ainda, no de Pombal. Esta beleza que resiste ao tempo, faz de Portugal um lugar especial no que restou da cultura dos valentes cavaleiros do Templo, muitas vezes vistos como malditos, outras vezes como heróis. Injustiçados ou não, Portugal deve muito à ordem, ainda que não seja, pelos belos monumentos deixados no seu solo, e que fazem parte da riqueza patrimonial da humanidade.


Os Templários no Condado Portucalense


No afã das Cruzadas, quando os cristãos conquistaram Jerusalém aos sarracenos, surgiu a necessidade de proteger os peregrinos que se dirigiam à Terra Santa, e que sofriam pelos caminhos, assaltos constantes às suas caravanas, feitos pelos muçulmanos. Para efetuar esta proteção, surgiu, em Jerusalém, em 1119, os “Pobres Soldados de Jesus Cristo”, que futuramente viriam a ser conhecidos como “Os Cavaleiros do Templo de Salomão”, ou simplesmente, “Os Templários”, ordem religiosa e de caráter militar, fundada pelos cavaleiros Hugo de Payns e Godofredo de Saint-Omer.


A ordem foi aprovada oficialmente no Concílio de Troyes, França, em 1129, sendo confirmada pelo papa Honório II, tendo as suas regras originais redigidas em 1127, pelo abade Bernardo, de Claraval. Trazia como principal função o apoio aos peregrinos cristãos que demandavam a Jerusalém. Os cavaleiros traziam um hábito branco com uma cruz vermelha no peito. O símbolo da ordem era um cavalo montado por dois cavaleiros, aludindo à pobreza. Tinham como lema o Salmo de David, “Non nobis, Domine, non nobis, sed Nomini Tuo da Gloriam” (“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome”).

A presença dos Templários na península está documentada desde a época que a ordem foi aprovada no Concílio de Troyes. Segundo a tradição histórica, Raimundo Bernardo, que não se tem a certeza se era catalão ou francês, foi o primeiro cavaleiro do Templo a visitar as terras ibéricas, colhendo auxílios monetários para a ordem e alistando membros nativos.

Dona Teresa, regente do condado Portucalense, deu como doação à ordem a povoação da Fonte Arcada. Em 1128, a regente entregou o castelo de Soure aos cavaleiros do Templo, em troca do compromisso de que colaborassem na conquista de territórios islâmicos ao sul.

Longas negociações foram feitas entre a ordem e os soberanos dos reinos da península Ibérica, sendo em 1143, estabelecida entre Raimundo Berengário IV e Roberto de Craon, segundo grão-mestre da ordem, a definição da missão dos Templários naquelas terras.

As habilidades militares fundidas com a vocação religiosa, faziam dos Templários poderosos aliados dos nobres ibéricos na luta contra a ocupação islâmica naquelas terras. Dom Fernão Mendes e a sua esposa, a infanta dona Sancha Henriques, irmã de dom Afonso Henriques, doaram à ordem o castelo de Longróiva, em 1145. Por esta ocasião, o mestre dos Templários em terras portucalenses era dom Hugo Martónio.



Doações Régias à Ordem do Templo


Na saga de dom Afonso Henriques pela conquista das terras que formariam o reino de Portugal, os Templários ajudaram com os seus conhecimentos militares e com a força dos seus sacerdotes soldados. Em 1147, estão ao lado do primeiro rei português nos combates intensos que culminaram nas conquistas de Santarém e Lisboa aos mouros, que assegurariam a extensão das fronteiras portucalenses nas áreas da linha do Tejo. Como recompensa pela ajuda à vitória aos mouros, dom Afonso Henriques fez-lhes doações do eclesiástico das terras libertadas.


Em 1159, dom Gualdim Pais era o mestre da ordem em terras portucalenses. É nesta época que os Templários recebem o castelo de Ceras e todas as terras a ele adjacentes, num vasto território que ia do rio Mondego ao rio Tejo, correndo pela linha do rio Zêzere. São instalados na região por doação hereditario jure daquele ano, concedida por dom Afonso Henriques.


O castelo de Ceras foi entregue aos Templários em ruínas, o que levou dom Gualdim Pais a decidir edificar uma nova fortaleza em um morro sobranceiro às margens do rio Nabão. A edificação da fortaleza foi iniciada em 1 de março de 1160, no morro situado do lado direito das margens do Nabão. A partir de então, deu-se o princípio da vila de Tomar, que se desenvolveu ao redor do morro.


Mediante a grandes doações régias, os Templários passaram a ser donos de uma grande fortuna no jovem reino de Portugal. Sua expansão prosseguia, em 1165 recebiam os territórios de Idanha e de Monsanto. A partir de 1169, passaram a receber como doação, a terça parte de tudo que viessem a conquistar além do Tejo. Ainda naquele ano, foram confirmadas a posse da ordem aos castelos da Cardiga (na foz do Zêzere) e de Tomar. Por esta ocasião, o castelo de Almourol, uma fortaleza situada numa ilha escarpada no meio do Tejo, e conquistado aos mouros em 1129, foi entregue aos Templários, que o reedificou, fazendo com que assumisse a beleza arquitetônica que se vê até os dias de hoje.


No reinado de dom Sancho I, o emir do Magrebe, Ibne Iuçufe, empreende um grande cerco ao castelo de Tomar. O cerco aconteceu a 13 de julho de 1190, mas foi malogrado pela habilidade belicosa dos Templários, que defenderam com eficácia o reino. Desde então, a presença dos cavaleiros da ordem tornou-se indispensável em todo território português, formado na sua maior parte, por terras conquistadas aos mouros. Os cavaleiros garantiam a conquista desde a linha do Mondego ao Tejo. Em agradecimento a esta proteção, aumentavam as doações à ordem, vindas de particulares ou de cartas régias. Além de garantir a posse das terras, os cavaleiros ajudavam na fomentação dos povoamentos das regiões que defendiam.



Declínio da Ordem


No século XIII os Templários continuavam a exercer amplo poder sobre o mundo cristão e sobre o reino de Portugal. Dom Afonso II doava-lhes, em 1214, quando dom Pedro Alvites era o mestre da ordem, o termo de Cardosa, responsável por iniciar a formação do que é hoje a cidade de Castelo Branco. Registros históricos apontam ainda, a grande participação que os Templários tiveram na batalha de Alcácer do Sal, em 1217.


O declínio da proteção régia que os Templários tinham em Portugal, tem início no reinado de dom Afonso III (1245-1279). Conflitos e rivalidades marcam o período, sendo questionadas as terras doadas e a isenção de jurisdição episcopal de que gozavam. O poder e a fortuna da ordem tornava-os credores de nobres e papas, donos de privilégios régios maiores do que os que tinham os demais clérigos. Este poder é responsável não só pelo declínio da ordem em Portugal, como levaria à perseguição tenaz de que seriam alvos no reinado de Filipe IV, o Belo, rei da França de 1285 a 1314.


Difamados e perseguidos por Filipe IV, os Templários viram a ruína da sua ordem e o fim do seu prestígio. Decido a abater a ordem, Filipe IV acusou os cavaleiros do Templo de torpes condutas, heresia, sacrilégio, sodomia, usura e rituais satânicos. As acusações levaram à prisão e à tortura dos cavaleiros em toda a França, alastrando-se rapidamente pelos demais reinos cristãos. Pressionado pelo rei francês, o papa Clemente V, em 13 de outubro de1307, ordena a prisão em massa dos cavaleiros da ordem, inclusive a do seu Grão-Mestre, Jacques de Molay.


A Ordem de Cristo


Em 1310, a idéia de extinguir a ordem já estava selada. Mas, se na França a decisão de liquidar com a ordem era um fato irreversível, em Portugal e nos reinos da grande Espanha, havia uma forte resistência ao seu fim. No ano anterior, Clemente V ordenara ao rei de Portugal, dom Dinis, que inquirisse a conduta dos Templários em seu reino. A possível dissolução da ordem preocupava o monarca português, principalmente a grande fortuna que ela detinha em suas terras, que poderiam fugir para os cofres da igreja, que naquele momento, devido a uma cisma, tinha a sua sede em Avinnhão, França, e não em Roma.


Dom Dinis optou por obedecer às decisões papais, ordenando a instauração de processo aos Templários, e, ao mesmo tempo, resguardando os seus bens, passando-os de imediato à tutela régia. Com o fim iminente da ordem, o monarca português une-se aos soberanos de Castela, para que juntos assumam uma conduta que permita preservar os interesses do valioso patrimônio da ordem, sem que quebrem a solidariedade que sempre uniram o rei e os cavaleiros. Em 1310, em um tribunal de Salamanca, os reis ibéricos declaram os Templários inocentes em toda a península, das acusações que se lhe eram impostas. Este procedimento constrange Filipe IV e ao papa Clemente V.


A posição dos reinos ibéricos não evitou que, em 3 de abril de 1314, o papa lesse a bula Vox in excelso, que extinguia a ordem, tornando a ordem dos Hospitalários sucessora nos respectivos bens dos Templários. No dia 18 de março daquele ano, Jacques de Molay, o último grão-mestre dos Templários, tinha sido queimado na fogueira por se ter declaro inocente das acusações.


Diante do inevitável fim da ordem, o rei português fez grandes manobras para salvaguardar a unidade patrimonial templária, lançando mão de uma astuciosa interpretação jurídica, as Inquirições de 1314, que diziam ser os cavaleiros da ordem simples usufrutuários amovíveis de terras que pertenciam à Coroa.


A partir desta interpretação jurídica, o rei tinha como objetivo criar uma nova ordem vinculada às decisões régias, que sucedesse àquela extinta, para a qual transitaria a totalidade dos bens dos Templários. Com este propósito, surgiu, a pedido de dom Dinis, a Ordem de Cristo, instituída em 14 de março de 1319, pelo papa João XXII, através da bula Ad ea exquibus. A Ordem de Cristo (Ordem da Cavalaria de Nosso Senhor Jesus Cristo) recebeu como doação, os bens dos Templários, tendo alguns desses bens, passados à posse da Coroa.


A Ordem de Cristo teve os seus estatutos e regras vindas da Ordem Militar da Calatrava, estabelecendo a sua sede na igreja de Santa Maria do Castelo, na vila de Castro Marim. A sede da ordem passaria para Tomar, em 1357, fixando-se no antigo castelo dos Templários. Mesmo ao findar, a ordem dos Templários deixara de vez as suas raízes na construção da nação portuguesa, sendo determinante na afirmação e consolidação das suas fronteiras e da sua identidade de pátria.


Castelos dos Templários em Portugal


Soure – O castelo foi levantado no vale inferior do rio Mondego, em um local anterior a ocupação dos romanos. Tinha como estratégia a defesa do acesso a Coimbra. Tornou-se o local de sede da ordem em terras portucalenses, que até então estava localizada em Fonte da Arcada. Foi dado o senhorio aos Templários, em 1128, por dona Teresa, regente do condado Portucalense. O senhorio da região à ordem do Templo, foi posteriormente confirmada por dom Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal. Com o fim da Ordem do Templo, passou para a posse da Ordem de Cristo, que o manteve até o fim do século XIX. Chegou aos tempos atuais apenas as ruínas do castelo, mas não se deixa de poder ver a sua imponência medieval.


Ceras – O castelo de Cera (Castrum Caesaris), atualmente chamado de Ceras, estava situado junto à ribeira de Ceras, na freguesia de Alviobeira, conselho de Tomar. Em 1159, dom Afonso Henriques doou a fortificação aos Templários, considerada de posição estratégica na linha do Mondego ao Tejo. Quando doada, a fortificação estava em ruínas. Um ano após ocupar o castelo, dom Gualdim Pais, diante da sua péssima conservação arquitetônica, decidiu pela construção de um novo castelo em um lugar mais apropriado. O castelo de Ceras, desaparecido ao longo do tempo, muitas vezes é erroneamente confundido com o de Tomar.


Tomar – Sua elevação começou a 1 de março de 1160, quando Gualdim Pais era o mestre da ordem em terras portucalenses. Foi erigido para suprir a fortificação de Ceras, que se encontrava em ruínas, no cimo de um morro à margem direita do rio Nabão. A partir do castelo, desenvolveu-se ao redor do morro, a vila de Tomar. Com o fim da ordem, o castelo de Tomar passou a ser chamado de Convento de Cristo, sofrendo ampliações e transformações que descaracterizaram boa parte da edificação templária. O castelo e o convento, fazem parte das belezas imprescindíveis de Portugal e dos patrimônios da humanidade, recebendo visitantes de todo o mundo. Do alto consegue-se uma vista panorâmica da cidade de Tomar e dos arredores.


Almourol – Exuberante castelo templário, reedificado sobre uma antiga fortificação tomada aos mouros, em 1129, situado solitário em uma ilha escarpada no meio do rio Tejo, fronteiro a Tancos. O castelo foi entregue aos Templários no ano de 1160. É um dos exemplos incontornáveis da exuberante passagem da Ordem dos Templários em solo lusitano. Conserva alguns traços da arquitetura militar templária. Uma placa em cima do portão principal do castelo dá a indicação de que a sua edificação foi concluída em 1171, sob a influência de Gualdim Pais. É um dos lugares mais míticos de Portugal, servindo de inspiração para várias lendas que se propagaram através dos tempos. Seu acesso pode ser feito apenas de barco, visto o isolamento no cimo da rocha, no meio do rio.


Pombal – O castelo foi fundado pelo mestre da ordem, dom Gualdim Pais, que aproveitou o local de uma fortificação romana e que teria sido ocupada pelos árabes até a reconquista cristã da península. Está edificado em posição dominante sobre um maciço rochoso, à margem do rio Arunca. Sua fundação deu-se posterior ao castelo de Tomar, em 1161, tendo importância expressiva na defesa da região à época das conquistas aos mouros e da afirmação e consolidação do condado Portucalense e da nação portuguesa. A localidade recebeu foral em 1174, concedida pelo próprio mestre templário. Com a extinção da Ordem do Templo, dom Dinis entregou o castelo à Ordem de Cristo, sendo doado mais tarde, ao conde Castelo Melhor, pelo rei dom João I.


Nisa – O castelo de Nisa foi edificado nas terras áridas e de planície do Alentejo, região fortemente dominada e influenciada pelos mouros por séculos consecutivos. Do antigo castelo medieval chegou aos dias atuais apenas duas portas, a principal da vila e de Montalvão. Sua edificação foi dirigida por dom Frei Lourenço Martins, por volta de 1290, no reinado de dom Dinis, já nos últimos anos de existência da ordem. Dom Dinis ordenou que fosse erguido depois que o antigo castelo e a povoação term sido arrasados pelo seu irmão, dom Afonso Sanches, como retaliação pela população de Nisa não apoiar a sua pretensão ao trono. A vila passou mais tarde para as mãos da Ordem de Avis.

domingo, 22 de maio de 2016

SANTA CRUZ, A História do Rio de Janeiro Passa por Aqui!

No contexto da Independência do Brasil.
Antes de iniciar a histórica viagem da Independência, o príncipe-regente deteve-se em Santa Cruz, onde aconteceu uma reunião no dia 15 de agosto de 1822, com a presença de José Bonifácio, para estabelecer as suas bases ao regressar, antes de seguir até a cidade, comemorou a Independência do Brasil na fazenda.
Dom Pedro I, abdicou do trono, mas os seus filhos continuaram a manter presença constante na Fazenda Imperial de Santa Cruz.
Desde cedo, Dom Pedro II e as princesas promoviam concorridos bailes e saraus no Palácio Imperial, um local visitado pelos imperadores, na qual é possível ver além do antigo Palácio Imperial, Dom Pedro II com apenas 14 anos de idade apreciando a vista da fazenda.
  Em Santa Cruz, no Palácio Imperial de Santa Cruz foi assinada a lei, pela Princesa Isabel que dava alforria a todos os escravos do Governo Imperial. A promulgação da lei foi assistida por ilustres convidados como o Visconde do Rio Branco e o Conde d'Eu.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Tiradentes

Sua verdadeira história.
Segundo o escritor francês Balzac, há duas histórias: a Oficial, que é mentirosa e a Verdadeira, que é secreta.
Com a abertura democrática de nosso país, cada vez mais vamos sabendo de coisas que são diferentes daquelas aprendidas na escola. Uma delas é a respeito de Tiradentes. Ele não usava nem barba e nem bigode. Esta imitação de Cristo, foi feita há tempos e sacramentada através da Lei Federal 4897 de 1966 pelo presidente Castelo Branco, quando foi definido a imagem com barba e cabelos longos de Tiradentes.
Poucos sabem que Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes, era maçom, bem como quase a totalidade dos líderes do movimento de independência. O movimento de independência tinha como caráter principal três províncias do Brasil, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, sendo que o resto do país deveria acompanhar as três províncias citadas. A Inconfidência Mineira começou em Vila Rica, que era a cidade mais rica de Minas Gerais, tendo uma vida praticamente européia com orquestras, teatros e grupos literários. Em 1756 houve um grande terremoto em Portugal que destruiu quase que toda a cidade de Lisboa. E quem arcou com os custos foi o Brasil, pois o Marques de Pombal impôs uma cobrança sobre o ouro de 1/5 sobre o peso do mesmo que deveria ser mandado a Portugal por um prazo de 10 anos consecutivos. Como sempre no Brasil, tudo que é definitivo é provisório e o que é provisório é definitivo. Assim a cobrança do ouro durou 60 anos. O que houve foi que as minas de ouro em Vila Rica esgotaram-se e os mineiros não tinham mais como pagar o quinto de imposto. Para piorar, como o ouro estava diminuindo, Portugal estabeleceu uma cota fixa para Vila Rica, devendo ser arrecadado de qualquer maneira 1.500 kg de ouro por ano, não importando a quantidade de produção. Na verdade ninguém sabe quem foi o verdadeiro líder da revolução, mas não há dúvida que foi um movimento maçônico que lutava pela independência do Brasil, contando com homens como o Coronel Francisco de Paula Freire de Andrade, o engenheiro químico Dr. José Alvares Maciel, o poeta e coronel Inácio José de Alvarenga Peixoto, o poeta e magistrado Tomaz Antônio Gonzaga (autor das Cartas Chilenas e do poema Marília de Dirceu) e outros. O delator Joaquim Silvério dos Reis sofreu um atentado no Rio de Janeiro e foi perseguido em Minas Gerais. Foi para Portugal onde foi homenageado e recebeu alta condecoração do governo português, ganhando também uma pensão mensal de 200 mil reis e teve uma vida muito boa. Acompanhou D. João VI quando a família real veio para o Brasil e quando retornou para Portugal. Tiradentes foi preso em 1789, justamente o ano em que se deu a revolução francesa e quando praticamente nascia a maçonaria no Brasil. Tiradentes usava como desculpa para ir ao Rio de Janeiro, fazer um plano de “puxar água potável” para a cidade. É quase certo que Tiradentes esteve na França, onde se encontrou com Thomas Jefferson, pedindo ajuda americana para a independência do Brasil. A bandeira dos Inconfidentes, tinha como base um triângulo, que é o símbolo base da maçonaria. A cor vermelha deste triângulo, se deve aos brasileiros que se filiaram a maçonaria na França que era de tendência republicana, enquanto que a maçonaria Portuguesa e Inglesa tinham tendências monarquistas e tinham como símbolo a cor azul. O enforcamento de Tiradentes se deu em 1792 no Rio de Janeiro, só que foi tramado que os inconfidentes seriam exilados e que toda a culpa seria somente de Tiradentes, que seria o bode expiatório. A armação foi bem feita e Tiradentes foi substituído por um ator de circo, o Sr. Renzo Orsini, que resolveu fazer o seu último papel, isto é, ser enforcado no lugar de Tiradentes. Tiradentes depois foi para Portugal, voltando depois ao Brasil e viveu até 1818 quando reinava no Brasil D. João VI, o qual lhe dava uma pensão. O historiador Assis Brasil cita que Machado de Assis, escreveu que Tiradentes morreu de um antraz (bacilo infeccioso que produz pústula maligna) e morava no Rio de Janeiro, na antiga Rua dos Latoeiros, que ficava entre a Rua do Ouvidor e Rosário, em uma loja de barbeiro, sendo que Tiradentes era dentista e sangrador (uso antigo de sanguessugas e sangramento), cuja abertura de negócio se deu em 1810 a conselho do próprio D. João VI. Com o malogro da conspiração dos mineiros a maçonaria brasileira, muito sabiamente ficou quieta até melhor oportunidade, reaparecendo na Revolução Pernambucana de 1817 e que também fracassou. Novamente em 1822, a mesma proporcionou a Independência do Brasil. Como se pode ver, a história Verdadeira é bem mais interessante, embora muitas vezes por comodismo optamos pela história Oficial.

1822 Como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D.Pedro a criar o Brasil.

Um país que tinha tudo para dar errado. Depois de ler este livro, consegui entender o nosso país. 1798 - Em 12 de outubro, D. Pedro nasce no...